Dô Zélia de cerzido vai a renda
de file, bilro, labirinto
caminho de desencontro
e vai cozendo
nos seus encadeados e trançados
Quando rompe espera-se desencarno
e diz que ninguém lhe vê a cara.
A tarde lhe espera acabar
e sinal de acabamento é um nó
bem nas beiras.
Ai somente
é que tardeia.
Sol muitas vezes faz-se delongas
e chuva arreda, chuvendo num só canto.
Porque tem dia mais longo
quando Dô Zélia precisa das vistas.
Ja percebestes?
Percevejo.
terça-feira, 13 de julho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Ending

Alguns finais se parecem, outros não. Esse, me parece, não se parece com nenhum outro, ou talvez, se pareça muito:
ele decidiu apenas observá-la caminhando por uma estradinha de terra vermelha, próxima a um canavial deserto- Pediu e depois exigiu-.
ele decidiu apenas observá-la caminhando por uma estradinha de terra vermelha, próxima a um canavial deserto- Pediu e depois exigiu-.
ela de tanto ansiar por liberdade, bem cansada, meio chorosa, aceitou.
ele indicou: usaria certo vestido branco- o que ele mais gostava- bordado na barra da saia com uma daquelas rendinhas de carretéis que ela guardava com tanto cuidado no fundo do armário dos quartos do fundo.
ele indicou: usaria certo vestido branco- o que ele mais gostava- bordado na barra da saia com uma daquelas rendinhas de carretéis que ela guardava com tanto cuidado no fundo do armário dos quartos do fundo.
andaria descalça até o final da estrada. nem rápido, nem devagar, andaria normal, como sempre.
ao final de tudo ele não estaria mais lá para trazê-la de volta.
ao final de tudo ele não estaria mais lá para trazê-la de volta.
importante- bem importante-: haveria de ser ao pôr do sol e até escurecer ela não deveria olhar para trás. isso era fundamental, e, sem isso, nada- nada mesmo- estava feito.
se olhasse, sem querer, por descuido, bobeira qualquer, deveriam voltar outro dia e recomeçar tudo outra vez.
ela optou em apenas concordar, responder pouco e aguardar indicações.
ela optou em apenas concordar, responder pouco e aguardar indicações.
e assim foi feito: igual ao pedido. ele era teimoso, muito decidido.
aconteceu e deu certo.
para voltar ela pegou carona e sentiu-se muito subversiva- sempre apreciou cometer as pequenas transgressões:
e agora estava livre?
Quando chegou em casa, as marcas de terra mancharam o tapete. ela se irritou um pouco. Achou aquilo um absurdo. incomodou-se mesmo.
aconteceu e deu certo.
para voltar ela pegou carona e sentiu-se muito subversiva- sempre apreciou cometer as pequenas transgressões:
e agora estava livre?
Quando chegou em casa, as marcas de terra mancharam o tapete. ela se irritou um pouco. Achou aquilo um absurdo. incomodou-se mesmo.
ligou a secretária eletrônica e ouviu um recado que ele havia acabado de deixar:
Queria o vestido, ou pelo menos um pedaço dele, sujo de terra vermelha e que tivesse uma pontinha da renda. Por favor: só aquilo. Última coisa. jurava.
ela sorriu um sorriso que mais parecia choro. sabia que não ia mais responder: aquilo não estava mais no combinado, era apenas amor..
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
fo-rôn-fo-bia
quando criança lhe assombrava um certo troço:
Aquilo de disco, voando céu a fora, desobedecendo leis físicas, medonho era.
Tinha-lhe assim certo pânico.
Dos seres se falavam muito: abduções imensas, experiências deslumbrantes, universo afora.
Depois dormia encolhidinha, pequitita, mentalizando bem forte ficar invisível para que eles não viessem buscá-la.
Depois de mais grande sonhou: era um etzinho bem verde, baixinho, desses de desenho animado e antena na cabeça. Ele viera lhe dizer certa coisa (um pouco esdrúxula talvez):
- Meu nome é espiropolus ópolus
Ela acordou gargalhando e foi-se embora o medo.
Pensou assim: Nomeia a coisa e a conhece.
Pois é.. besta desse jeito.
Vida à toa.
Aquilo de disco, voando céu a fora, desobedecendo leis físicas, medonho era.
Tinha-lhe assim certo pânico.
Dos seres se falavam muito: abduções imensas, experiências deslumbrantes, universo afora.
Depois dormia encolhidinha, pequitita, mentalizando bem forte ficar invisível para que eles não viessem buscá-la.
Depois de mais grande sonhou: era um etzinho bem verde, baixinho, desses de desenho animado e antena na cabeça. Ele viera lhe dizer certa coisa (um pouco esdrúxula talvez):
- Meu nome é espiropolus ópolus
Ela acordou gargalhando e foi-se embora o medo.
Pensou assim: Nomeia a coisa e a conhece.
Pois é.. besta desse jeito.
Vida à toa.
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