segunda-feira, 4 de março de 2013


Pessoas querem tao altas ideologias
Deve-se rasgar
o pequeno mundo dos absurdos?








segunda-feira, 16 de abril de 2012

Fragmentos da liberdade

A carne é triste,
depois do gozo
Triste como o direito
a um desígnio único

reta e sem avesso
Morte, consumação triste
da pura realidade

A mulher não se engana da tristeza da carne
A mulher, nem o poeta
nem loucos e místicos, dizem
Não enganam navegações, bússolas, capitalismos e medalhas

Para coisas no mundo poderosos anticorpos
Gerações e gerações de límpida lucidez
Do que se ocupam?
do ciclo, do círculo

e do enigma

....


Fragments of Freedom

The flesh is sad
after the pleasure
Sad as a right
from a single design

straight and without reverse
death, sad consummation
of pure reality

But the woman is not deceived
about the sadness of the flesh

Neither the woman nor the poet
nor madmen and mystics
Do not mistake themselves

on navigations, capitalisms,
compasses and medals

Things in the world have powerful antibodies
for generations and generations
of limpid clarity

What they are concerned?
cycle, circle
and puzzle

sábado, 7 de abril de 2012

Dúvida do cisco

foi cisquinho que quando tava no corte de unhas
onde é a mãe ajunta todos que são mãos-e-pés e não meninos
é que olhou a mãe todo assustado:
- diz-junto?

Cautela

Toda rede é furada,
lá onde se acaba o vento
É como se cospe à terra em convulsões
os filhos de-Manjar
A cuida manda-lhe: Peça
Ou, desde então esteja fato
a enfrentar o céu do avesso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dôzélia

Dô Zélia de cerzido vai a renda
de file, bilro, labirinto
caminho de desencontro
e vai cozendo
nos seus encadeados e trançados

Quando rompe espera-se desencarno
e diz que ninguém lhe vê a cara.

A tarde lhe espera acabar
e sinal de acabamento é um nó
bem nas beiras.
Ai somente
é que tardeia.

Sol muitas vezes faz-se delongas
e chuva arreda, chuvendo num só canto.
Porque tem dia mais longo
quando Dô Zélia precisa das vistas.

Ja percebestes?
Percevejo.

sábado, 26 de junho de 2010

Ending


Alguns finais se parecem, outros não. Esse, me parece, não se parece com nenhum outro, ou talvez, se pareça muito:

ele decidiu apenas observá-la caminhando por uma estradinha de terra vermelha, próxima a um canavial deserto- Pediu e depois exigiu-.
ela de tanto ansiar por liberdade, bem cansada, meio chorosa, aceitou.
ele indicou: usaria certo vestido branco- o que ele mais gostava- bordado na barra da saia com uma daquelas rendinhas de carretéis que ela guardava com tanto cuidado no fundo do armário dos quartos do fundo.
andaria descalça até o final da estrada. nem rápido, nem devagar, andaria normal, como sempre.
ao final de tudo ele não estaria mais lá para trazê-la de volta.
importante- bem importante-: haveria de ser ao pôr do sol e até escurecer ela não deveria olhar para trás. isso era fundamental, e, sem isso, nada- nada mesmo- estava feito.
se olhasse, sem querer, por descuido, bobeira qualquer, deveriam voltar outro dia e recomeçar tudo outra vez.
ela optou em apenas concordar, responder pouco e aguardar indicações.
e assim foi feito: igual ao pedido. ele era teimoso, muito decidido.
aconteceu e deu certo.
para voltar ela pegou carona e sentiu-se muito subversiva- sempre apreciou cometer as pequenas transgressões:
e agora estava livre?
Quando chegou em casa, as marcas de terra mancharam o tapete. ela se irritou um pouco. Achou aquilo um absurdo. incomodou-se mesmo.
ligou a secretária eletrônica e ouviu um recado que ele havia acabado de deixar:

Queria o vestido, ou pelo menos um pedaço dele, sujo de terra vermelha e que tivesse uma pontinha da renda. Por favor: só aquilo. Última coisa. jurava.
ela sorriu um sorriso que mais parecia choro. sabia que não ia mais responder: aquilo não estava mais no combinado, era apenas amor..

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

fo-rôn-fo-bia

quando criança lhe assombrava um certo troço:
Aquilo de disco, voando céu a fora, desobedecendo leis físicas, medonho era.
Tinha-lhe assim certo pânico.
Dos seres se falavam muito: abduções imensas, experiências deslumbrantes, universo afora.
Depois dormia encolhidinha, pequitita, mentalizando bem forte ficar invisível para que eles não viessem buscá-la.
Depois de mais grande sonhou: era um etzinho bem verde, baixinho, desses de desenho animado e antena na cabeça. Ele viera lhe dizer certa coisa (um pouco esdrúxula talvez):
- Meu nome é espiropolus ópolus
Ela acordou gargalhando e foi-se embora o medo.
Pensou assim: Nomeia a coisa e a conhece.
Pois é.. besta desse jeito.
Vida à toa.