domingo, 13 de maio de 2007

enquanto não vinha a marizé

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Se marizé quisesse
que viesse de rodinha
descer carrinhos de rolemãs
e jogar ladeiras abaixo,
descabelas contra o vento
Coisa de maricas mulherzinhas
essas ladeirinhas.

Enquanto ela não vinha
eu roubava romã
na casa de alguma velha branca e gorda,
era condição única
e disso resultava:
romã rosinha, rosia
roseira daninha da vizinha

Em bolinhas de gude?
Sempre dei fim
e fui Rei!

Enquanto não vinha a marizé
corria riscos enormemente
Aquilo sim! riscos que nunca
enquanto tenho me feito de viva
corri.

De morta?
viva, morta.

Enquanto não vinha a marizé
eu tinha pouca coêrencia
uma coisa podia se chamar qualquer coisa
e qualquer coisa a coisa.

Buscava um ser medonho e ofegante
de nariz grande
e de nariz grande.

Chulé era mais fedido:
se o pé estava abrido
E tudo acabava em céu escuro
obrigação de esperar novo dia

As palavras tinha cheiros e sons
coloridas de amarelorosa
e sempre achei essa junção:
cor dos sonhos

As letrinhas todas minúsculas
eram mais criancinhas que as outras

O nome: era maria josé,
tão bom de chamar, implicava no alheio
Alegria fazia a festa
na ira estampada do rosto.

Já hoje tenho em mim tudo aquilo que foi dito
sei que aquilo se chama isso
e isso é aquilo
assim, fixamente. coisa mais boba que já vi.

Invenção sem criatividade nenhuma:
mais dá para repetição.

Agora eu?
coesão, quase que toda
Mas metafóricamente me escapo
iludindo alusões da lógica
e me recuso obstinadamente!
a parecer mais grande do que sou.

É que a marizé?
ainda nem apareceu por aqui
paciência

.

.



(para samantha, minha marizé e todas nossas pequenas tolices de infância)