quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dos Multimeios Metalizados

obras no metrô abrem cratera no meio da rua


tomando gosto pela coisa esmaecida, gris, cinza/ chumbo
pela paisagem enevoada
os olhares de relance
à sensação de que tudo acontece onde somos levados pelas fumaças
dos carburadores dos carros congestionados,
aguardando o próximo acontecimento de ponta tecnológica.

no gosto da digitalização, àmáquínaúrbanoíde, i-pods, piercings e raps,
elegância high-tech do chemisier black-color
pela poesia concreta e brutal que fere o sentido reconstruindo o non sense
pelo anseio da conversa existencial com quem pouco se conhece
pela arte pixada no concreto. cimentada em meio ao suor,
dos retirantes nordestinos
trabalhadores mudos-mecânicos
da pá entrecortada e precisa dos tratores enferrujados.

dou meu gosto às paisagens futuristas,
aos espelhos azuis dos prédios que arranham e refletem céu
vendo beleza onde a realidade inspira apenas construções, vigas, ferros e destroços

pelo fim das poesias bucólicas, das fotografias de paisagens belas
pelo fim dos carneiros enrolados espirais, semelhante aos cabelos de anjo barroco
pelo fim dos anjos barrocos com suas caras de adultos assustados
pelo fim da vitalidade das flores do campo que ferem nossas vistas com tanta cor.

é na dor poética que também em mim se revela,
existência em qualquer canto, à qualquer preço
menos trajada em alberto caeirices e mais sob ótica mercadológica do alto executivo engravatado,
navegando em multimeios metalizados pela avenida paulista
nem menos poético, nem mais poético, nem poético, nem ético, nem,
a dura crueza surreal da existência lucrativa

solta o som andrógino da próxima rave pagã
des-codifique todo o som ultra-binário da modernidade
à altura dos meus ouvidos,
daqui soergo minha mão em brilhos platinados
simulacro das estrelas do (seucéu) nublado
refletidas nas poças da garoa,
da rua inteira, do dia inteiro.
e entre/vista pela pupila dilatada do seu olhar baixo e cansado
porque é lá que me encontro:
acordei mais solitária que uma paulistana.

Um comentário:

Anônimo disse...

tava mais bobo que banda de rock, que um palhaço do vostok..